quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Árbitros em greve

A maioria dos árbitros filiados na Agência de Santarém da Fundação do Inatel cumpriram a decisão tomada na reunião efectuada dia 19 de Novembro, à noite, em Ulme, Chamusca, e não compareceram aos jogos da Taça Fundação Inatel do distrito de Santarém que se disputaram, dias 21 e 22.

Na reunião realizada em Ulme, estiveram presentes duas dezenas de árbitros, quase todos chefes de equipa, o que equivale a dizer que representavam, cerca de sessenta homens que semanalmente dão a cara nas mais recônditas aldeias do distrito para dirigir os jogos de futebol do campeonato do Inatel, e ali decidiram partir para a “greve”.

O problema prende-se com a imposição da Federação do Inatel de uma tabela de compensações completamente desfasada da realidade. “E ainda por cima contrariando tudo o que nos foi apresentado e prometido, pelo director da agência de Santarém, António Rola, numa reunião efectuada antes do início da época”, disse um dos membros da comissão, eleita na reunião de Ulme, para representar os árbitros junto da Fundação do Inatel.

Na altura a discussão foi forte, e os homens do apito acusam o Inatel e o seu representante no distrito de Santarém de os ter enganado e voltar atrás com as promessas feitas na reunião de início de época.

A tabela de compensação apresentada pela Fundação é, segundo os árbitros, uma completa fraude. “As nossas deslocações para os campos de futebol só começam a contar depois de andarmos 30 quilómetros e ainda por cima obriga-nos a ir pelos caminhos mais curtos, às vezes por estradas que são autênticos caminhos de cabras”, dizem.

“Antes do início da época foi-nos prometido que essa situação dos primeiros 30 quilómetros ia ser revista e retirada da tabela. Demoraram muito tempo a enviar-nos a nova tabela e essa situação não foi revista. Obriga-nos a andar 30 quilómetros praticamente de borla. É uma vergonha”, referiram em uníssono os árbitros presentes na reunião.

Por outro lado, os árbitros temem que, a fazer fé na tabela apresentada, a contagem dos quilómetros andados, vai ser efectuada não a partir da casa do elemento da equipa de arbitragem que vive mais longe e pelo caminho mais curto, independentemente do estado em que estejam as estradas.

“Já temos uma má experiência neste campo, e segundo nos dizem os quilómetros vão ser encontrados a partir do mapa Michelin, que marca estradas de terra e charneca, muitas vezes intransitáveis”, referem os árbitros.

Nos longos anos que o repórter de O MIRANTE leva ligados ao desporto nunca tinha assistido a um encontro de árbitros de futebol onde se registasse uma tão forte unidade em redor de uma situação que os homens do apito do Inatel consideram indigna. “Não precisamos do dinheiro dos jogos para nada, andamos nisto por gosto, mas não admitimos que brinquem com a nossa dignidade”, garantem.

Os árbitros que estiveram em Ulme e muitos outros que dizem não terem lá estado por motivos profissionais, estão unidos nesta luta e dispostos a ir até às últimas consequências, aprovaram uma proposta a apresentar ao Director da Agência de Santarém da Fundação Inatel, onde para além de “lamentar que os responsáveis, atendendo a todas as dificuldades inerentes a esta actividade, não tenham tido o cuidado de apresentar uma tabela condigna, decidimos por unanimidade apresentar uma proposta de tabela, e não vamos voltar a actuar sem que ela seja discutida e aprovada pelo Inatel”, dizem.

A tabela que os árbitros apresentam é bastante diferente daquela que lhes foi imposta pelo Inatel. Os árbitros exigem um subsídio para alimentação, de 6,5 euros sempre que percorram uma distância superior a 100 Kms, no percurso de ida e volta, ou 13 euros quando esse percurso for superior a 200 kms; A contagem dos quilómetros comece a ser contada a partir da localidade do elemento da equipa de arbitragem que se situe mais longe do local de actuação; Os quilómetros percorridos serão contabilizados ao preço de 40 cêntimos e pagos ao elemento responsável pelo transporte da equipa de arbitragem, independentemente de ela ir ou não completa.

Para além desta reivindicação quanto aos quilómetros, os árbitros pretendem também que o prémio de actuação seja sempre de 24 euros para o árbitro principal e 20 euros para cada árbitro assistente.


noticia retirada do jornal "O Mirante"

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